Olha, eu não costumo postar sobre polêmicas aqui, mas diante das últimas discussões, vi a necessidade de expôr a minha opinião como consumidora e relações públicas. Acredito que, independente de ser a favor ou contra, opiniões são sempre bem vindas, então, fiquem à vontade.
Há pouco tempo se alguém aparecia por aí com uma LV falsificada, comprada em um camelô qualquer, era motivo de comentários negativos por um bom tempo. As pessoas não perdoavam, e criticavam mesmo, não dando chance aos discursos de “democracia da moda”, afinal, comprar uma bolsa falsificada era tão indigno, que poucos se arriscavam. Era melhor ter uma bolsa “baratinha” a ter uma cópia mal feita.
Daí que os anos se passaram, e com o desenvolvimento da moda brasileira, do surgimento dos blogs de moda e dos investimentos das grandes lojas de departamento e varejo, começou a se questionar sobre a democracia fashion e o quanto era injusto que as tendências fizessem parte somente de um grupo específico e favorecido. E então, “pipocaram” por aí produtos de material inferior, mas com a mesma modelagem de um produto de uma marca, digamos, mais reconhecida (e posicionada). E então, como diferenciar um plágio de um “inspired“?
Plágio: É quando uma marca copia INTEGRALMENTE um determinado produto de outra marca, e muda apenas pequenas características, como por exemplo o material, a cor ou a estampa. Quer um exemplo prático e ilustrado? As tão famosas – e polêmicas bolsas de moletom. Essas bolsas imitam o design de bolsas clássicas ou de grandes marcas, como a Alexa (Mulberry) e a Birkin (Hermès). O que as tornam diferente das originais são o material e o preço. E então surge o problema: é justo que de todo um inestimento que a Hermès, por exemplo, teve que desembolsar com sua Birkin (em 1984 e hoje) para ter o posicionamento que tem, seja “apossado” de uma marca (grande e com potencial, diga-se de passagem) lucrar? Para a Birkin (original) ser o que ela representa hoje, foram necessários diversos investimentos, tais como na criação, na produção, na divulgação e na venda. Foi preciso todo um esforço criativo, contratação e pagamento de recursos humanos, além é claro, de um valor altíssimo em marketing, propaganda e demais ações de comunicação, tudo isso para torná-la em um clássico da moda. Gente, plágio é roubo, simplesmente porque a marca (que copia) rouba para si a propriedade intelectual e todo o investimento para o posicionamento da original, com o simples intuito de lucrar, lucrar e lucrar.
Inspired: Sabe quando há dois invernos, todo mundo só falava da coleção da Balmain e o quanto ela tinha sido boa? E quando, um tempo depois, você ía numa loja qualquer e encontrava um monte de peças com aplicações de tachas, correntes e ombros marcados? Então, essas peças que a gente podia comprar numa Renner da vida são as tais inspired. Elas são legais, pois possibilitam que consumidores de classes menos favorecidas tenham acesso às tendências e características apresentadas por grandes (e caras) marcas, como a Balmain e Chanel, por exemplo. E qual a diferença? Simples! Diferente do plágio, os produtos inspired levam consigo apenas algumas características, geralmente mais marcantes, que tenham informação de moda e sejam carregadas das tendências de uma determinada estação, como as roupas com aplicação de tachas. Você não viu por aí, os vestidos totalmente iguais aos da Balmain, com a modelagem, o design e tudo mais igual, não. O que você viu foram as aplicações em lugares estratégicos, mas as peças estavam longe de serem cópias.
E daí gente, que está na hora de começar a pensar em qual dos lados está a verdadeira democracia na moda. Que é legal que as lojas tupiniquim invistam mais em tendências e tragam pra cá releituras do que a gente viu lá fora, favorecendo as classes com condições (financeiras) mais baixas com informação de moda, isso todo mundo concorda. Mas que, se for pra ser assim, que seja com um pouquinho mais de dignidade. Mas o seria MAIS legal mesmo era se a gente visse as GRANDES marcas daqui do Brasil criando uma moda com identidade própria, e daí, que a s fast fashion se INSPIRASSE nessas criações, pra daí então, a gente ter uma moda própria, sem necessidade de copiar nada de ninguém! Até lá… vamos repensar sobre as inspired que circulam por aí? Ó um trecho do livro “A Moda” da Erika Palomino, para ilustrar um pouco sobre o assunto e entender as raízes da moda no Brasil e sua relação com a cópia do que vem lá de fora:
“[...] Colonizados que fomos, acreditamos realmente, por séculos, que tudo o que vem de fora é melhor, raciocínio cristalizado numa suposta elite. São profundas as raízes dessa dependência – que também pode ser traduzida por baixa auto-estima.”














